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El Calafate

Author: Caio_Schiefer
May 3, 2009

Há vinte e cinco mil anos a humanidade vivia basicamente em um continente maciço. Ásia, Europa, Africa e América não eram separadas por oceanos; os níveis d’água eram muito baixos e isso permitiu que a raça humana, supostamente iniciada na África, pudesse começar seu processo de migração mundo afora. Primeiro chegando à Europa, seguindo até a Ásia; em seguida passando pela América do Norte e iniciando sua descida pela América Central, América do Sul até que por volta de 10.000 a.c. chegaram à Patagônia Argentina, onde já não tinham mais como seguir em frente. Haviam literalmente chegado ao “Fim do Mundo”, a parte mais austral do planeta.

A Patagônia Argentina é compreendida pelas províncias de Rio Negro, Chubut, Neuquén, Santa Cruz e Terra do Fogo. El Calafate fica justamente na província de Santa Cruz e, chegar ao fim do mundo, pelo menos nos dias de hoje, já não é tão complicado quanto há doze mil anos atrás. Existem voos sem escala de Buenos Aires para El Calafate operados pela LAN e pela Aerolíneas Argentinas e o voo dura cerca de três horas. Pelo que pudemos observar os voos saem do Aeroparque de Buenos Aires e não do aeroporto internacional em Ezeiza, o que pode dificultar a compra de um bilhete aéreo internacional direto para lá. Mas como já estávamos em Buenos Aires, um voo saindo do Aeroparque é sem dúvidas bem mais prático; sem contar o cenário lindo que uma decolagem de lá te proporciona com uma visão incrível do rio da prata.

El Calafate é uma cidade bem pequena e simpática e ponto de partida para as principais atrações da região: os glaciares. Existem bons restaurantes e diversos locais para hospedagem na cidade, mas como em qualquer centro que viva quase que exclusivamente do turismo, os preços são muito acima da média.

Planeje sua viagem para lá entre os meses de outubro e abril, já que no final do outono, inverno e início da primavera, além de você realmente não querer estar lá por causa do frio, as atrações vão estar fechadas. Já no mês de abril alguns tours que costumam ser oferecidos pelas agências de turismo locais já não estavam mais disponíveis por causa da temperatura.

Chegamos no fim da tarde na cidade e fomos direto para o albergue. No segundo dia por lá optamos por uma visita à uma fazenda local, chamada Nibepo Aike, única estância dentro do Parque Nacional Los Glaciares. É o tipo de visita não muito procurada; éramos os únicos visitantes da fazenda naquele dia; mas sem dúvidas foi um passeio que valeu a pena, principalmente para que quem, como nós, vive em cidade grande e não está acostumado com esse tipo de cenário.

As paisagens na fazenda são belíssimas e a recepção do pessoal de lá também foi muito amistoso. Andamos por grande parte da propriedade aprendendo um pouco sobre a fauna e flora local; presenciamos a tosa das ovelhas; mas nosso principal objetivo era, obviamente, gastronômico por lá: o cordeiro patagônico. O pessoal da fazenda basicamente prepara o cordeiro em fogo de chão com alguns temperos locais por algumas horas e o resultado é realmente delícioso.



Paisagens em Nibepo Aike

Um glaciar na definição da Wikipedia é uma espessa massa de gelo formada em camadas sucessivas de neve compactada e recristalizada, de várias épocas, em regiões onde a acumulação de neve é superior ao degelo. É dotada de movimento e se desloca lentamente, em razão da gravidade, relevo abaixo, provocando erosão e sedimentação glacial. E o terceiro dia por lá foi o dia da atração principal: trekking no glaciar Perito Moreno.

O trekking no principal glaciar da região é “o” passeio a se fazer por lá. Esse tour é oferecido somente pela Hielo y Aventura em duas modadlidades: Mini-Trekking, com aproximadamente uma hora e meia de caminhada sobre o gelo e o Big Ice, uma caminhada bem mais puxada de aproximadamente seis horas sobre o Perito Moreno. O custo é um pouco alto, sendo 400 pesos argentinos o valor para o Mini-Trekking mais 60 pesos do custo da entrada do Parque Nacional Los Glaciares. O custo do Big Ice fica em torno de 600 pesos.

Para ambas as caminhadas é necessário estar com roupa impermeável e de preferência bem quente. Ambos os tours também incluem um passeio de barco por perto do glaciar mais uma hora sobre uma área de passarelas onde se pode ter uma bela visão da paisagem também. Não existem restaurantes dentro do Parque Nacioanal e, como os tours tomam o dia todo, o pessoal das agências recomenda levar pelo menos água e lanche na mochila.

Durante a caminhada recebemos informações sobre a região e os glaciares, sobre os sumidouros de água que encontramos pelo caminho e no final de uma hora e meia de caminhada um clichê: uísque com o gelo local. Bem legal!




Mini-Trekking


Happy Hour no Mini Trekking


Belíssima paisagem durante o trekking


Vista do glaciar da área de passarelas

Pra finalizar o passeio por lá um passeio de barco pelos outros glaciares locais: Upsala, Onelli e Spegazzini. Se você, assim como eu, costuma enjoar fácil em embarcações, é melhor tomar um remédio antes de embarcar, pois o Lago Argentino não é exatamente dos mais calmos.

O barco sai de Puerto Bandera, aproximadamente cinquenta quilômetros de El Calafate e normalmente as agências de turismo já vendem o transporte até lá no pacote. A dica de levar lanche e água vale aqui também, já que essas geleiras também se localizam no Parque Nacional Los Glaciares. A grande diferença aqui é poder ver os muito ice-bergs pelo Lago Argentino, uma experiência legal sem dúvidas.


Nascer do sol na embarcação


Ice-bergs pelo caminho


No Parque Nacional

Andar pela Patagônia é uma experiência incrível em um ambiente muito diferente do que estamos acostumados quando viajando por grandes cidades e podemos apreciar paisagens maravilhosas que não parecem ser do fim do mundo; parecem sim paisagens de outro mundo! Com certeza uma viagem que vale a pena.