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Chegamos à Lima sem muita expectativa do que encontrar por lá; nossa viagem pelo Peru era mais focada na região de Cusco, mas não podiamos perder a oportunidade de conhecer a capital do país sem dúvidas. E o que encontramos por lá é uma cidade de localização geográfica privilegiada com um litoral de uma beleza diferente daquela que estamos acostumados no Brasil, mas que parece ter enfrentado um crescimento populacional descontrolado nos últimos anos e que apresenta um trânsito realmente caótico e seu sistema de tranporte um pouco deficitário, quando comparado à outras grandes cidades da América do Sul, nos mostra a importância de algo que nunca demos muito valor: um taxímetro.
Lima ainda não possui um sistema de linhas de metrô (pelo menos até abril de 2009) e o transporte principal para os viajantes parece mesmo ser o táxi, já que o custo ainda é consideravelmente baixo e as distâncias entre os pontos principais da cidade são razoávelmente grandes. Mas não existe no Peru o uso de taxímetros, o que nos força a negociar o preço com o taxista antes de embarcar. Isso, numa cidade de mais de 8 milhões de habitantes e com um trânsito já completamente desorganizado, com certeza é um agravante que não pode ser desconsiderado.
Existe ainda um jeito mais barato de locomover por Lima, que são os chamados colectivos, na verdade são Combis de manutenção questionável, pra dizer o mínimo, e que, pelo que pude observar andam de maneira irresponsável pela cidade. Algo bastante pior que qualquer lotação em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
Aproveitando que todos os voos partindo de Cusco com destino aos outros países da América do Sul passam por Lima, resolvemos mudar a data do voo de conexão e ficar um final de semana na capital do país. Ficamos no albergue do HI em Miraflores e a corrida do aeroporto até lá sai em torno de 30 soles. Se você tentar agendar o táxi direto com o pessoal do albergue eles vão te cobrar o absurdo valor de US$ 20,00. Definitivamente não vale a pena.
Miraflores é talvez o bairro mais charmoso da cidade, onde está concentrada boa parte da vida noturna de Lima. O albergue é bastante bem localizado, bem perto do parque Miraflores. Um dos “pontos turísticos” do bairro, pra quem é de cidade grande e não vive sem um shopping por perto, é o Larco Mar, um shopping de arquitetura diferenciada, quase todo à céu aberto e de frente para o Pacífico. Eu gostei muito de lá e voltaria com toda certeza.
O shopping ainda possui uma exposição permanente, a “Oro de Peru”, uma coleção particular de 167 peças de ouro e materiais preciosos pré-incas do norte do Peru. A visita leva em torno de uma hora e meia e achei que valeu a pena.
Outra atração da redondeza é o Huaca Pucllana, um sítio arqueológico que remete à um dos centros cerimoniais e administrativos mais importantes da cultura Lima. O custo é de 7 soles e a visita dura cerca de uma hora e meia e é guiada. Ainda no local há um restaurante, considerado um dos melhores da cidade.
Como não tinhamos muito tempo na cidade resolvemos fazer um city tour, mas optamos por uma versão diferente, um city tour noturno. E foi uma experiência legal. A empresa responsável pelo tour foi a Lima Vision. Um city tour noturno até que é bem agradável, mas pra quem é louco para tirar fotografias pode se decepcionar um pouco. Tirar fotos à noite, ainda mais com pouco tempo disponível, não é das tarefas mais simples, pelo menos para nós amadores! O passeio ainda inclui um jantar com comida típica Peruana e um show com danças locais. Mais clichê impossível, mas o show até que foi legal.
No dia seguinte fomos ao centro histórico, cujo coração é a Plaza Mayor, e visitamos o Museu da Inquisição. O local foi o centro da inquisição durante o domínio espanhol até o início do século XIX e em seus porões podemos visitar algumas das salas de tortura da época e lá podemos encontrar também alguns bonecos de tamanho real sendo “torturados”. A visita é gratuita e também é guiada. Como o número de visitantes é grande, devido principalmente ao fato da visita ser gratuita, muita gente pouco interessada acaba por participar da visitação e a bagunça, principalmente das crianças, acaba sendo grande e fica um pouco difícil de escutar a guia do museu. A visita é rápida e dura menos de meia hora. Segundo o Rough Guide, o museu é um dos pontos mais importantes não só de Lima, como também do país. Mas sinceramente não achei nada demais.
Uma dica importante, não só para Lima como para o Peru todo, é tomar muito cuidado com o dinheiro. Notas falsas são muito comuns no país inteiro e toda vez que você vai pagar alguma coisa, independente do valor da nota, ela é checada pela pessoa que a está recebendo. E não se surpreenda se ela não aceitar a cédula; mesmo que a nota seja verdadeira, ela não será aceita se estiver danificada de alguma maneira. E, apesar do tamanho da cidade, são muitos os lugares que não trabalham com cartão de crédito, principalmente sem cobrar um percentual a mais no preço original.
Lima é uma cidade muito grande, com uma comunidade chinesa igualmente enorme, com uma grande quantidade de excelentes restaurantes (não só chineses) e se auto-proclama a capital gastronômica da América do Sul. É uma cidade bonita e vibrante e que vale a pena uma visita, mas em momento algum crie a expectativa de ser uma cidade similar à Buenos Aires, Santiago, etc. Essas cidades já estão num nível superior quando as comparamos à Lima, mas acredito que a capital Peruana está no caminho certo. Existe um projeto enorme de construção de uma rede metroviária por lá e a violência urbana parece vir diminuindo a cada ano segundo a população local. E o principal: existe um projeto de lei para se implantar taxímetros nos táxis do país todo a partir de 2010!