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A América do Sul é repleta de lugares fantásticos para se conhecer e Machu Picchu certamente é um dos mais sensacionais. Não por qualquer aspecto “místico-energético-extraterreno” que frequentemente são vinculados à Machu Picchu, mas sim pelo que ela realmente é: a mais fascinante e conservada das cidadelas incas, símbolo máximo de uma civilização fantástica que por lá habitou até a chegada dos conquistadores espanhóis no século XVI, rodeada de um cenário belíssimo e que sem dúvidas merece o título de uma das novas sete maravilhas do mundo.
Chegar à Machu Picchu já não é das tarefas mais fáceis. Partindo de Cusco são basicamente duas as possibilidades de se chegar à Machu Picchu Pueblo (antiga Águas Calientes) de onde partem ônibus para as ruínas: Quatro dias a pé pela famosa trilha Inca ou uma viagem de trem de pouco menos de quatro horas. Escolhi ir de trem!
São três as opções oferecidas pela Perurail partindo da estação de Poroy, aproximadamente trinta minutos do centro de Cusco: Backpacker (US$ 48,00 o trecho de ida ou volta), que como o próprio nome sugere é o trem dos mochileiros. Basicamente não há serviço algum incluso, mas existem salgadinhos, água, refrigerantes, etc. a venda nos vagões com um preço não muito amistoso. O espaço disponível para os passageiros realmente não é suficiente e o desconforto é sentido desde os primeiros instantes de viagem – Foi esse o trem que eu escolhi no trecho de ida; Vistadome (US$ 71,00 o trecho), certamente um custo-benefício melhor que o Backpacker com serviço de bordo incluso, muito mais espaço disponível para os passageiros, além de janelas maiores nas laterais e clarabóias que permitem uma visão muito melhor da linda paisagem ao longo do percurso – Foi nosso trem no trecho de volta; Hiran Bingham (US$ 393,00 o trecho) considerado um dos trens mais luxuosos do mundo.
Chegando em Machu Picchu Pueblo a primeira coisa que você vai querer fazer é já comprar o seu ticket de ingresso para as ruínas. Com um custo de 124 soles (aproximadamente US$ 41,00) o ticket tem validade de apenas três dias, ou seja, a partir do dia em que você compra o ticket você tem até três dias para visitar o santuário. A partir do momento que você entra nas ruínas você tem apenas aquele dia para visitá-la. O ticket pode ser facilmente conseguido no Cento Cultural, mas atente à alguns pontos: o pagamento somente pode ser feito em soles peruanos e eles muito dificilmente tem troco, ou seja, procure levar o dinheiro contado; Se você tem carteirinha internacional de estudante ISIC o preço do ticket cai pela metade.
O próximo passo é assegurar o ticket de ônibus até as ruínas. Com um custo de US$ 14,00 ida e volta os micro-ônibus começam a partir às cinco e meia da manhã. Você pode optar por visitar as ruínas no dia em que chega à Machu Picchu Pueblo e fazer disso uma viagem de apenas um dia pegando o trêm de volta à Cusco no final da tarde. A outra opção é passar a noite na simpática cidadela e pegar o primeiro ônibus da manhã no dia seguinte com a intenção de ver o nascer do sol nas ruínas – essa foi nossa opção.
A principal atração da pequena cidade de Machu Picchu Pueblo são justamente suas águas termais à um custo de dez soles (aproximadamente US$ 3,50), mas também existem diversos restaurantes, uma feira de artesanatos bem grande perto da estação de trêm e hospedagens razoavelmente baratas por lá para fazer sua provavelmete curta estada por lá até que bem agradável.
No dia seguinte rumo às ruinas! O ticket de ônibus vale especificamente para um dia, mas não para um horário em particular, ou seja, você não pode efetivamente comprar o seu ticket para o horário das cinco e meia da manhã. Você tem que estar na fila o mais cedo possível para conseguir pegar o ônibus no horário que desejar, caso contrário, ficará para o horário seguinte. Pra garantir chegamos na fila uma hora antes e claro, morrendo de sono. E o detalhe é que estava chovendo muito!
Conseguimos pegar o ônibus das cinco e meia sem maiores problemas. O caminho até as ruínas é bastante sinuoso e o tempo de viagem é de aproximadamente meia hora apenas. O trajeto pode ser feito a pé também, mas pelo trajeto ser muito íngrime o tempo de caminhada até o santuário é estimado em cerca de três horas. Sinceramente não acho que compense a aventura.
Existem algumas regras para ingressar nas ruínas que valem a pena ser observadas: Mochilas grandes (acima de 20 litros) não são permitidas; garrafas plásticas descartáveis também não. Mas existe um guarda-volumes logo na entrada ao custo de três soles (aproximadamente US$ 1,00 somente) onde você pode deixar seu material pelo dia todo; além disso te deixa muito mais confortável para andar e apreciar a cidadela.
Se a sua intenção é fazer a subida no morro de Wayna Picchu é melhor pegar o ônibus das cinco e meia da manhã mesmo, já que é necessário se cadastrar numa lista de interessados para aquele dia e somente quatrocentas pessoas por dia são aceitas para a subida realizada em dois turnos (oito e dez horas da manhã). Sendo essa a sua intenção a dica é logo que adentrar o santuário se dirigir ao morro e fazer a sua inscrição.
Logo na entrada uma boa coisa a se fazer é contratar um dos guias credenciados para te acompanhar. Realmente vale a pena, já que são muitos os detalhes que você perderia sem a companhia de um especialista. O custo é de cem soles por grupo (cerca de US$ 34,00) por três horas. São guias de confiança e bem preparados, além de devidamente identificados com crachás do Instituto Nacional de Cultura do Peru.
A cidade é dividida em duas grandes áreas: Área urbana e área agrícola. A área agrícola é aquele cenário mais conhecido das cidades incas que mais parecem grandes escadas construídas sobre as ladeiras naturais. Cada um dos “degraus” é formado por um muro de pedra preenchido com materias menores para facilitar o escoamento e sobre os quais se cultivavam diferentes tipos de alimentos dependendo do micro-clima definido em cada um dos degraus.
A área urbana possui muito mais detalhes e construções a serem exploradas, mas vou mencionar aqui os que me pareceram mais interessantes e que me mais me chamaram a atenção.
O primeiro deles é o Torreón (ou templo do sol), uma construção bastante parecida com uma torre de um castelo e que tem uma simbologia muito forte dentro da cidadela. Possui janelas perfeitamente alinhadas para que os primeiros raios de luz solar iluminem seu centro nos dias de solstício. As fotos abaixo mostram o templo do sol em si e também uma foto tirada da pasta de nossa guia, mostrando como acontece nos dias de solstício.
Um segundo local que nos chamou muito a atenção foi o “Temlo das Três Janelas”, uma bela construção com três janelas muito grandes quando comparadas às outras existentes na cidade viradas para a direção do vale do Urubamba. Perceba pela foto que temos uma pedra no formato de metade de uma Cruz Andina; a outra metade da cruz é completada pela sombra resultante dos raios solares que entram pelas três janelas.
O terceiro local fascinante da cidadela certamente é o Intihuatana (“Local onde se amarra o sol” no idioma quechua). A pedra se destinava principalmente a servir de relógio solar e ajudar na agricultura. Por estar em um dos locais mais altos de Machu Picchu recebe a luz solar durante o dia todo e, para os místicos que costumam visitar o local, é um dos bom locais para se “energizar”.
Visitar Machu Picchu é uma experiência incrível. As pessoas que lá visitam realmente fizeram sacrifícios e quiseram estar lá. Machu Picchu não está no caminho de nada mais e não é “mais um” ponto turístico a ser visitado numa viagem mais longa. Machu Picchu é o objetivo principal dos viajantes que lá estão e a emoção de cada um por estar lá é facilmente perceptível no rosto de cada pessoa que encontramos andando por lá. Se existe alguma “energia diferente” por lá, com certeza é aquela emanada pelas pessoas que lá estão e que tornam a atmosfera do local ainda mais incrível e a viagem para lá inesquecível.